segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

PRÓLOGO

PRÓLOGO

         O céu esta carregado com um mau presságio, os raios iluminam o céu enquanto trovões parecem sacudir a terra por inteiro os uivos dos ventos são pequenas melodias assoviadas por toda a parte. A chuva que cai na cidade de São Paulo se torna uma cortina densa de água, naquela atmosfera poucos se aventuravam a estar fora da segurança e aconchego de seus lares.
         Mas para uma pessoa em específico aquilo não era motivo para permanecer em casa. Sua figura alta e esguia parece fazer parte das sombras sinistras que aquela noite forma, ele desliza como um fantasma negro. Sua respiração esta pesada e um único pensamento domina sua mente.
         Para em frente a uma bela casa de dois andares, suas paredes brancas refletem fracamente a luz dos postes, seu jardim embora bem cuidado está totalmente encharcado. Os olhos do fantasma brilham de ansiedade, por baixo das luvas que usa pode sentir o suor pegajoso se espalhando em suas mãos, o ar que sai de sua boca forma pequenas nuvens de vapor que logo se dissipam.
         Caminha em direção a casa com passos largos e firmes, cada um parece ser uma martelada em seu peito, tira do bolso um objeto prateado que brilha fracamente em sua mão, com dois movimentos precisos o portão se abre com um click, seus lábios se espremem em um sorriso de satisfação. Marcas pequenas e profundas são deixadas na grama por onde passa.
         O vento parece chicotear seu rosto a única parte desprotegida, tenta abrir uma porta sem sucesso, olha ao redor procurando um meio de entrar na casa, o nervosismo parece se transformar em tentáculos que abraçam seu corpo.
         -É só um imprevisto, você sabia que eles poderiam acontecer – pensa nervosamente.
         Seus ombros relaxam quase imperceptivelmente quando seus olhos encontram uma escada, com rapidez e agilidade pula na sacada do primeiro andar, a porta de madeira escura dividida em pequenas colméias de vidro, não lhe oferece resistência, o corredor que se abre pra ele é iluminado unicamente pelos raios da tempestade, existe uma única porta ali e ele deseja que aquela seja a porta certa.
         Seus cabelos estão encharcados, a água escorre em gotas constantes sobre sua roupa preta, seus olhos brilham com uma mistura de nervosismo e satisfação, seu coração bate aceleradamente com um descompasso, força uma respiração lenta na tentativa de controlá-lo.
         -Respire, apenas respire – sugere pra si mesmo, em um sussurro.
         Suas mãos tremem e ele as aperta em punhos fechados ao lado do corpo, na esperança de controlar o tremor que começa percorrer todo seu corpo.
         -Calma tudo vai dar certo, concentre-se – respira lentamente puxando todo o ar possível.
         Seus olhos azul turquesa se fixam na porta a sua frente, seus passos são firmes embora ainda sinta um pequeno tremor. – Ela esta aqui, precisa estar aqui – pensa.
         Tira as luvas e acaricia a porta como se fosse uma amante a quem não vê há muito tempo, segura a maçaneta por um momento sentindo a sensação fria que ela espalha por sua mão, lentamente a gira.
         A luz do quarto é branda, com uma rápida olhada percebe que não existem muitos móveis, o ponto central é uma cama a sua frente, onde um volume está totalmente encoberto por um edredom preto. Pendurado na parede sobre a cabeceira da cama esta a foto de um jovem casal, os olhos do rapaz brilham de paixão em direção a jovem, enquanto ela o encara com uma mistura de sensualidade e inocência, o abajur ao lado emana uma luz amarela e fraca, cada detalhe do quarto prende sua atenção, nunca estivera em um lugar como aquele.
         Um trovão parece rasgar as paredes do quarto, com o susto  solta um som que mais parece um grunhindo, o pacote sobre a cama se meche enquanto seus olhos se arregalam.
         - Vamos lá, faça o que precisa ser feito – tenta passar coragem pra si mesmo.
         Solta a mochila ao lado do corpo,  pega de dentro um pequeno pano, caminha com cautela até o lado da cama, sua respiração fica pesada novamente sua boca esta seca parece que havia corrido uma maratona em pleno deserto do Saara.
         -Jorge é você? – ele sente como se uma parede tivesse acabado de se materializar em sua frente, e não consegue dar mais nenhum passo. A voz feminina que vem de debaixo do edredom é sonolenta e arrastada.
         Seu coração que antes batia sem freio agora parecia ter sumido, evaporado junto com aquelas palavras, por um minuto sente como se tivesse em um sonho que não lhe pertencesse, e tudo a sua volta fica fora de foco.
         O edredom flutua no ar caindo suavemente ao lado do corpo da mulher, a visão dela o deixa totalmente extasiado, sua pela branca parece ser tão macia que precisa reprimir a vontade que senti de esticar as mãos e tocá-la, seus cabelos iluminados pela luz amarela do abajur, parecem pequenos raios de sol em uma doce e quente manhã de primavera, ele se sente aquecido de uma forma estranha. Seu rosto é delicado e totalmente harmonioso, seus lábios carnudos possuem um rosa sutil, aqueles lábios com certeza hipnotizariam qualquer homem, qualquer um menos ele.
         De repente sua expressão muda completamente de algo sutil e admirado, para o que mais parece ser a fisionomia de uma fera aprisionada.
         Ela se espreguiça lentamente, um leve sorriso surge em seus lábios, parecia muito satisfeita com o que sonhara, abri os olhos e tenta focalizá-los na figura a sua frente, por um momento se pergunta se aquilo ainda faz parte de seu sonho, aos poucos seu semblante tranqüilo se modifica primeiro para dúvida e incredulidade, até se fixar em uma máscara de pavor e confusão. Com um impulso desajeitado puxa o edredom para seu corpo, como se ele fosse um escudo capaz de protegê-la de qualquer coisa.
         Pelo que parece uma eternidade os dois ficam se encarando ele mergulhado na imensidão dos olhos vivos dela, e ela no azul que brilha em sua frente, brilho que não consegue identificar.
         -Quem é você? – finalmente consegue juntar as palavras, sua voz sai trêmula e cortada, mesmo tendo pensado que havia gritado, o som que saiu não passou de um sussurro.
         Ele apenas a olha, sua cabeça pende para o lado como se o que estivesse em sua frente fosse algo que não habitasse esse planeta, seu rosto adquire uma feição de predador pronto para abater sua presa.
         Dá um passo em direção à mulher na cama, que grita desesperada, mas seus gritos são encobertos pelos trovões que parecem estar levando o céu abaixo.

5 comentários:

* Andreza * disse...

Nossa' q suspense... e mto mistério... Mto boom.
Me pareceu bem intrigante..rs.. Quero ver a continuação hein... rsrs..
Beijos Eva...
Ah.. Sou nova aqui no blog..mas estou adorando..rsrs Vai me ver aqui todo dia hein..rsrsrs
Andreza Teixeira

Eva Cardoso disse...

Oi Andreza! Que bom que vc gostou isso me deixa muito feliz. Seja bem vinda!!! Bjussss

Ju Matos disse...

Bah....agora fiquei curiosa pra continuar lendo.Eva qdo vai ter a cenas do proximo capitulo?

Sudices disse...

Eva, ficou muito bom a narrativa. Viu como vc evoluiu??? jok e torcendo por vc

Eterna Romantica disse...

Adorei! Quero saber como vai desenrolar essa história. Assim que ficar pronto para o publico nos avise. Serei a primeira a adquirir um exemplar. Nós, que gostamos de colocar nossas idéias em papel gostamos de saber que tem pessoas que ficam na torcida positivamente. Boa sorte!

Postar um comentário

Template by:

Free Blog Templates